14/10/2017

Cafeicultores: possibilidade de uma safra excepcional está descartada.

A florada está muito bonita e perfumada por sinal. Na abertura das flores o cafezal fica lindo, repleto de delicadas flores brancas ao longo dos ramos

O cafeicultor Fernando Barbosa de São Pedro da União Minas Gerais, alerta que a possibilidade de uma safra excepcional está descartada.

 

“ Analistas internacionais chegaram a apontar nas últimas semanas que a próxima safra do Brasil poderia chegar a 60 milhões de sacas de 60 kg de arábica e também conilon, um recorde, já que será de bienalidade seria positiva e as condições climáticas eram benéficas. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) chegou a estimar a produção do país para este ano em torno de 45,56 milhões de sacas.

 

Mas o cenário atual nos mostra outra  realidade  bem diferente e não podemos acreditar nessas projeções devido a uma série de fatores. Desfolha no café, déficit hídrico que vem acarretando ao longo dos últimos anos, pelo que observei, nas lavouras mais velhas a desfolha já comprometeu o pagamento da florada, outras lavouras que já produziram bem este ano, não irão produzir em 2018.

 

As regiões onde receberam uma certa quantidade de água e altitudes mais elevadas conseguiu-se a sustentar a florada principalmente as que deram pouca produção. As lavouras que tiveram uma produção média para cima, essas deram flores mas provavelmente não irá vingar.

 

Lógico que sem chuvas regulares nada disso será suficiente. Os tratos culturais corretos significarão aumento de custos para os cafeicultores em um ano de safra de ciclo baixo, com preços praticados pelo mercado que não refletem o cenário acima descrito. Os custos dos combustíveis estão altos, fora da realidade. Foram reajustados para que a população pague a conta dos desvios e da corrupção na Petrobrás. Os reservatórios das hidroelétricas estão bastante baixos com a longa seca e o governo federal já comunicou que o preço da energia elétrica será reajustado. 



Esse quadro ajuda a explicar a resistência dos cafeicultores em vender nas bases de preço oferecidas pelos compradores. O mercado está travado em ambas pontas. O café arábica bica corrida está em baixa cotado na semana em R$ 425,00 abaixo do custo de produção que hoje gira em torno de 460,00 não mecanizado em áreas montanhosas.  A primeira florada não teve o pagamento devido a seca que afetou os chumbinho devido a uma desfolha em todo parque cafeeiro.

 

Nós estamos passando por ano de ciclo baixo isso quer dizer bienalidade baixa, negativa. Ano posterior 2018 teremos a safra cheia, porem devido aos fenômenos climáticos e déficit hídrico provavelmente chegaremos a 50 milhões com estoque de passagem ou talvez nem isso.  Projeções para 2018/2019 giram em torno de 45 a 47 milhões de saca, não estamos sendo pessimistas, estamos sendo realistas.

 

Se vendermos nos preços atuais não teremos como enfrentar as despesas dos cafezais, da propriedade e pessoais ” afirma o cafeicultor de São Pedro da União de Minas Gerais, Fernando Barbosa.