18/10/2017

Trigo: a importância de fracionar o nitrogênio em cobertura

O trigo é um dos cereais mais consumidos do mundo, junto com o milho e o arroz, situação que torna esse alimento um ingrediente básico na mesa de vári

No Brasil, o trigo é um alimento extremamente popular. Ele está presente nos nossos pães, massas e até em bebidas, como a cerveja. Por isso, sua produção é tão importante para o mercado alimentício brasileiro.

 

Tipicamente brasileiro, mas com origem no Egito

 

Apesar de extremamente popular no Brasil, o trigo não é um alimento que é natural da América do Sul. As primeiras plantações de trigo foram identificadas no Egito, e em regiões próximas a esse país, que tem características climáticas favoráveis para o desenvolvimento dessa planta.

 

O trigo foi trazido para o Brasil pelos portugueses, que criaram as primeiras plantações desse cereal na região do estado de São Paulo. A adaptação do trigo ao clima brasileiro foi tão rápida e eficiente, que outras regiões do país também começaram a desenvolver suas próprias culturas. Hoje, o Brasil é um dos maiores produtores desse alimento, exatamente por essa identificação do cereal ao terreno e clima do país. Essa situação também faz com que o trigo seja um dos principais ingredientes presentes na mesa do brasileiro e, portanto, essencial para a manutenção da saúde de muitas famílias.

 

Características nutricionais do trigo

 

O trigo é um alimento extremamente importante para a nossa saúde no aspecto nutricional. Além de ser uma importante fonte de energia para o organismo, por ser um carboidrato, o trigo é um alimento rico em vitaminas e minerais essenciais para vida humana, como as vitaminas do complexo B, o potássio, o fósforo e o magnésio.

 

Outra característica nutricional interessante do trigo é a sua alta concentração de fibras alimentares, que auxiliam na regulação da atividade intestinal, no controle da glicemia e do volume de gordura no sangue, além de atuar também no aumento da sensação de saciedade – que ajuda a controlar o apetite.

 

Moagem e preparação do trigo para consumo

 

A maior parte do trigo que consumimos é moído, para poder dar origem às receitas que nós tanto amamos. O processo de moagem do trigo é feito para retirar o endosperma do grão (que representa cerca de 75%), que é a parte desse alimento que dá origem às farinhas brancas.

 

A moagem também pode ser feita com a casca junto com o endosperma, para criar as farinhas integrais, que são mais grossas e com valor nutricional mais elevado.

 

Ambos os tipos de farinha podem ser usados em diferentes receitas, para garantir o melhor aproveitamento desse produto na nossa alimentação. Vale reforçar que o trigo também pode ser consumido na forma de grão ou farelo.

 

O trigo e o glúten

O glúten é uma proteína encontrada nos grãos de trigo, cevada e centeio, responsável por várias características encontradas nesse alimento. Muito se fala sobre a relação do trigo e do glúten e como essa situação pode influenciar na qualidade da saúde de muitas pessoas.

 

No aspecto culinário, o glúten é o responsável por dar às massas feitas com esse alimento a sua característica elástica, que permite sua expansão quando levado ao forno para processos de panificação. Exatamente por isso é que massas feitas com grãos e cereais que não tem essa proteína não conseguem reproduzir as mesmas características físicas daquelas preparadas com trigo, cevada ou centeio.

 

Em termos de saúde, o glúten é uma proteína que é naturalmente absorvida pela maior parte das pessoas e não oferece risco para a qualidade de vida. Indivíduos diagnosticados com doença celíaca, por sua vez, são aqueles que apresentam dificuldade de absorção dessa proteína. Eles podem desenvolver sintomas gastrointestinais indesejados após a ingestão de alimentos à base de trigo, cevada ou centeio.

Para saber se o glúten é prejudicial ou não para a sua saúde, caso você sinta desconforto ao consumir alimentos à base de trigo, é recomendável marcar uma consulta médica e realizar exames que podem confirmar o diagnóstico dessa doença.

 

Influência do nitrogênio na qualidade do Trigo

 

Segundo o último relatório do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná, 5% das lavouras de trigo chegaram a fase de germinação, 70% em desenvolvimento vegetativo, 18% em floração e 7% em frutificação. No estado, parte dos produtores paranaenses já realizaram a primeira aplicação de Nitrogênio. Nas lavouras gaúchas, a escassez de chuva deve repercutir na emergência e atrasar um pouco mais as aplicações do Nitrogênio, fertilizante essencial para atingir maiores produtividades e melhor qualidade industrial. A informação foi divulgada no último Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar.

 

O Gerente Regional Norte da Biotrigo Genética, Fernando Michel Wagner, explica que nesta safra, as regiões Norte e parte da região de transição ao Oeste do Paraná as lavouras já receberam adubação nitrogenada em cobertura. Já nas demais regiões como o Sul e Sudeste, poucas áreas de trigo receberam o fertilizante, pois até o momento, o clima não tem favorecido as aplicações pela falta de umidade no solo e de chuvas. Este cenário se repete também no Rio Grande do Sul. O engenheiro agrônomo da Biotrigo que atende as regiões tritícolas gaúchas, Éverton Garcia, comenta que especialmente na região Noroeste do RS, houve atrasos na semeadura pelo grande volume de chuvas no final de maio até a primeira quinzena de junho. Neste momento, a falta de chuva também está atrapalhando o manejo do fertilizante.

 

No entanto, o trigo é uma cultura que possui um longo período para formação de componentes de rendimento. “Conforme o ciclo do trigo avança, importantes manejos podem ser realizados, pois a planta precisa ser nutrida durante todo o seu desenvolvimento. Se o clima não permitir realizar a aplicação no início do perfilhamento, como é a indicação, não é preciso desistir do manejo do fertilizante. Nossos resultados mostram que, mesmo em aplicações um pouco mais tardias, há resultado  expressivo na manutenção da produtividade, além do aumento da proteína, fator que eleva a qualidade industrial”, explica Fernando.  

 

Café, almoço e jantar

As gramíneas de um modo geral, aproveitam o máximo do N disponível independentemente da fase que se encontra, ou seja, quando fracionamos o N em cobertura em mais de uma aplicação, vamos beneficiar a planta em várias fases importantes na formação do potencial de rendimento e qualidade industrial. Fernando compara as áreas que recebem somente o fertilizante na base a uma pessoa que toma café da manhã e não faz nenhuma outra refeição durante todo o dia. “O rendimento se constrói do início até o final da fase reprodutiva, portanto, é preciso estar atento ao momento e a dose ideal em cada fase da cultura. A dica é buscar as condições ideais de manejo, acompanhando a previsão do tempo e antecipando a aplicação às chuvas previstas”, ressalta. 

 

A cultura do trigo exige adubação nitrogenada na “base” - que é durante a semeadura; a primeira aplicação em cobertura, no início do perfilhamento e, a segunda, no início da elongação. Em períodos de chuvas mais intensas e frequentes, uma terceira aplicação pode ser feita quando a folha bandeira estiver sendo estendida.

 

O fertilizante colocado na adubação de base ajuda no melhor estabelecimento e na formação inicial do potencial, mas sozinho não consegue suprir a demanda durante todo o ciclo, pois o trigo demanda de grande aporte de Nitrogênio a partir da elongação. “É muito importante fracionar a aplicação em cobertura. O ideal seria aplicar em pelo menos duas etapas, sendo a primeira no início do perfilhamento (fase do duplo anel), quando a planta está iniciando a formação da espiga e número de espigas por m², e outra aplicação no início da elongação (fase da espigueta terminal), quando se define o tamanho da espiga e inicia a diferenciação floral, ou seja, irá determinar número de flores férteis para formação de grãos após o florescimento”, afirma Fernando.

 

A terceira dose de cobertura é indicada no início do emborrachamento, quando a folha bandeira esta recém visível (cerca de 1 cm), estágio importante na formação do potencial de rendimento. “É nesse estágio que o Nitrogênio gera incrementos sobre o número de espigas por m², viabilizando os perfilhos e, consequentemente, o número de flores férteis por espiga, além de incrementar o teor de proteína dos grãos que serão formados”, complementa Éverton.

 

As gramíneas de um modo geral, aproveitam o máximo do N disponível independentemente da fase que se encontra, ou seja, quando fracionamos o N em cobertura em mais de uma aplicação, vamos beneficiar a planta em várias fases importantes na formação do potencial de rendimento e qualidade industrial. Fernando compara as áreas que recebem somente o fertilizante na base a uma pessoa que toma café da manhã e não faz nenhuma outra refeição durante todo o dia. “O rendimento se constrói do início até o final da fase reprodutiva, portanto, é preciso estar atento ao momento e a dose ideal em cada fase da cultura. A dica é buscar as condições ideais de manejo, acompanhando a previsão do tempo e antecipando a aplicação às chuvas previstas”, finaliza.