18/01/2018

Descobertos novos agentes causais da mancha púrpura

Modo de ação para combater as doenças será diferente.

 

Uma recente pesquisa científica divulgada na Argentina determinou que, ao contrário do que se pesava, o agente causal da mancha púrpura da soja e do crescimento foliar de cercóspora não é apenas um fungo (Cercospora kikuchii), mas pelo menos quatro espécies desse gênero. Isso sugere que existe uma situação epidemiológica mais grave do que até agora se conhecia e a razão pela qual essa doença tem crescido de importância recentemente. As informações foram publicadas na rede social Engormix.

 

 

Na safra atual argentina, a recomendação é prestar atenção nos primeiros indícios da doença e nas medidas de manejo mais adequadas sugeridas pelos especialistas. De outro modo, permite que vários patógenos de ciclos reprodutivos e de intercâmbio de genes, que adiantam a sua capacidade de adaptação às medidas de manejo presentes e futuras.

A descoberta foi feita a partir do trabalho de Eduardo Alejandro Guillin do Instituto de Genética e da unidade de Casterlar, província de Buenos Aires, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuário Argentino (INTA). A consequência dessa descoberta seria impulsar o conhecimento de empresas que produzem fungicidas e para o manejo integrado de doenças na soja porque se modificou o conceito de uma única medida de controle. Isto é, os melhoradores e fungicidas deverão afrontar ao menos quatro espécies, não uma, e a geração rápida de resistência. Além disso, aplicar o produto tarde no campo implicará permitir ao patógeno várias gerações com aumento de variabilidade por intercâmbio sexual e portanto dar muito maior atenção de adaptação em menos campanhas.

 

 

A identificação da Cercospora kikuchii como únicao agente causal da mancha púrpura da semente de soja que tinha sido colocada em questão nos últimos tempos. Estudos realizados no Japão recentemente dizem que são pelo menos duas espécies diferentes de Cercospora. Depois disso, pesquisadores propuseram que sua investigação comece a ser feita de outra forma. Além da procedência, seriam investigados espécie vegetal hospedante e sintomas de doença.

Conse

quentemente se realizou um trabalho que envolveu cinco instituições: INTA, Universidade de Buenos Aires, Universidade Federal de Viçosa (Brasil) e Universidade de Arksansas (Estados Unidos). Os resultados mostraram que existe na América ao menos quatro grupos de patógenos diferentes que, seguindo a metodologia tradicional, até agora se tinham identificado como Cercospora kikuchii. Estes resultados poderiam ser a explicação da dificuldade para encontratar para encontrar genótipos tolerantes à doença porque um fungo na verdade é mais de um fungo a controlar, podendo ter cada um destes fungos, comportamentos, ciclos de vida e virulência diferentes.

 

 

Além disso, segundo Guillin, se encontraram alguns patógenos cuja forma conhecida de dispersão do cultivo é assexual, mostram uma grande variabilidade genética e são capazes de um intercâmbio de genes muito intenso. Essa grande variabilidade permite que o fungo se adapte muito rapidamente a diferentes medidas de controle. Foi detectada, por exemplo, uma alta frequência de mutantes resistentes a a benzidamol e estrobirulina, o que sugere que esses patógenos estariam se adaptando rapidamente ao controle químico. A grande variabilidade explica também que não se encontrem cultivares resistentes, uma vez que não só as populações do fungo são mistas, mas que além disso intercambiar genes comerciais e experimentais poderiam aumentar sua capacidade patogênica e a sua adaptação a possível tolerância nos materiais comerciais e experimentais.

FONTE: Agrolink