01/02/2018

Arroio do Meio vai decretar calamidade pública devido crise do setor leiteiro

Compromisso foi firmado na tarde desta quarta-feira (31), em reunião com líderes sindicais, produtores e a administração municipal.

As perdas somadas pelos produtores de leite nos últimos anos farão com que a administração de Arroio do Meio decrete calamidade pública no setor. A elaboração do documento, a ser remetido ao Estado, foi acertada na tarde desta quarta-feira (31), em reunião na prefeitura, com a participação do governo municipal, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), Conselho Agropecuário e Emater/RS-Ascar.

 

Conforme levantamento do sindicato, os produtores de leite em Arroio do Meio deixaram de receber pelo menos R$ 10 milhões em 2017. O valor repercutiu na arrecadação da prefeitura, em aproximadamente R$ 360 mil. O número de agricultores também foi prejudicado, segundo o vice-presidente do STR de Arroio do Meio, Paulo Grassi. “Quase 25% dos produtores deixaram a atividade. Tínhamos em torno de 450, mas chegou a 312 em 2017, segundo registros do talão do produtor”.

São três fatores que prejudicam os produtores de leite: queda da produção, do volume de leite exportado pelo Brasil e a importação do leite do Uruguai. Grassi diz que não há perspectivas positivas em curto prazo, o que preocupa quem depende da atividade para sobreviver.

“A situação é preocupante. Precisamos que o governo estadual e o federal voltem a intervir no mercado, para que essa cadeia não se desestabilize. Para que os produtores possam seguir nessa atividade. E para que as economias possam ser resguardadas”. Ele estima que a agropecuária represente 80% do Produto Interno Bruto (PIB) do Vale do Taquari, que já sofre com a crise do leite.

O decreto

A ideia de decretar calamidade pública surgiu em um encontro, realizado na segunda-feira (29), na Secretaria de Educação de Arroio do Meio, com associados ao sindicato, que também abrange Capitão e Travesseiro. São 600 produtores de leite nos três municípios. “Pela gravidade da situação que o produtor está atravessando. São perdas muito maiores que as piores secas que já tivemos”, diz Grassi.

O pedido foi remetido à administração municipal, que avaliou a possibilidade com o Setor Jurídico. Agora, o STR e a Secretaria municipal da Fazenda trabalham na compilação de dados que comprovem o problema, o que deve ocorrer até a próxima terça-feira, 6 de fevereiro.

“Estamos encaminhando um abaixo-assinado para todos os produtores do município, para que eles nos ajudem a fazer essa solicitação, embasando ao pedido da administração municipal”. Assim que todas as informações estiverem à disposição, o decreto será finalizado e remetido ao governo do Rio Grande do Sul.

Mobilização no Vale

O decreto de Arroio do Meio deverá se espalhar pelo Vale do Taquari, como um convite para que os demais municípios reconheçam as suas perdas e se engajem na mobilização. “Estamos contatando as entidades sindicais dos outros municípios, para que levem essa preocupação às suas administrações municipais”, comenta. Ainda não há data prevista para que a calamidade seja decretada em Arroio do Meio. NR

 

Fonte: independente.com.br