09/04/2018

Sucessão familiar na agricultura: entenda o que é e como fazer

 

A estrutura de empresa familiar é muito comum no agronegócio brasileiro. E para evitar danos patrimoniais e emocionais na hora de transferir a gestão para as próximas gerações, é fundamental desenvolver um plano para a sucessão familiar na agricultura adequado ao modelo de negócios da organização.

 

Uma sucessão familiar bem-sucedida é o resultado de um bom planejamento feito com antecedência. Esse processo leva tempo e dedicação, além da determinação em fazer acontecer. Quando essa questão é negligenciada, a sucessão acontece em meio a conflitos e despreparo, o que pode ser devastador não apenas para o negócio como também para as relações familiares.

 

Neste artigo, explicaremos melhor como funciona a sucessão familiar na agricultura, com dicas para o planejamento da passagem de bastão entre as gerações. Boa leitura!

 

Por que começar a criar um plano de sucessão familiar na agricultura agora?

 

Em uma empresa familiar, o controle está centralizado nas mãos de uma mesma família e é transmitido de forma hereditária. Isso significa que, quando se ausentam, os pais passam o bastão para os filhos, que devem assumir responsabilidades de acionistas e muitas vezes gestores da companhia.

 

Mas, segundo dados do IBGE, apenas 30% das empresas familiares chegam na segunda geração e só 5% conseguem resistir até a terceira. Isso significa que na maior parte das vezes os herdeiros não estão preparados para tomar frente nos negócios e assumir os cargos de gestão da empresa familiar.

 

Na agricultura, isso não é diferente. Muitas vezes os herdeiros da propriedade rural não tem interesse ou preparo para tomar conta da lavoura e, quando o fundador se ausenta, tomam decisões erradas que culminam na falência do negócio.

 

Isso quando não existem conflitos de interesse sobre a herança, que resultam em desgastes de relacionamento e danos emocionais irreparáveis na relação entre os familiares.

 

Para evitar todos esses problemas, é essencial que a empresa tenha um planejamento sólido de sucessão familiar. Esse é um processo que deve ser constante nesse tipo de organização, para garantir que os herdeiros estejam preparados para assumir suas responsabilidades e darem continuidade aos negócios da família.

 

Nem sempre um herdeiro terá vocação ou interesse em assumir a lavoura. Isso é especialmente comum quando a segunda geração se afasta do campo e se estabelece em outras áreas.

 

Mesmo nesses casos, é importante que o herdeiro tenha a consciência de que um dia a propriedade rural será sua e, para isso, ele deve estar no mínimo preparado para assumir o papel de acionista do negócio.

 

Como preparar os herdeiros para assumir o negócio?

 

Idealmente, o processo de sucessão familiar leva tempo. É importante formar herdeiros e definir regras e responsabilidades com muita antecedência, especialmente em famílias maiores.

 

E o primeiro passo para essa jornada é o autoconhecimento. Os herdeiros devem fazer um trabalho vocacional para ver em qual papel se encaixam melhor na empresa. A vontade de assumir a liderança ou o operacional nem sempre despertará em todos os filhos de empresários do agronegócio, o que é comum.

 

Alguns vão se sentir mais a vontade assumindo a lavoura, enquanto outros vão preferir o papel de acionistas enquanto seguem carreiras paralelas.

 

Os que já estão decididos em participar da gestão da empresa devem então começar a investir na sua formação, com cursos de agronomia, administração e outros estudos que poderão contribuir para o futuro da lavoura.

 

Depois disso, é recomendável que os herdeiros busquem também experiências fora do negócio familiar. Não existe uma receita para essa etapa e existem muitos casos de filhos que, depois da faculdade, foram direto para a empresa familiar e tiveram sucesso.

 

Mas a possibilidade de trabalhar em outras propriedades e com isso desenvolver sua própria identidade profissional sem a pressão do sobrenome pode ser excelente para a formação de um futuro gestor, que quando assumir um cargo no negócio familiar já terá uma autoridade técnica na área e mais segurança para liderar.

 

E quando chegar esse momento, é interessante que a nova geração tenha uma relação harmoniosa com a anterior e trabalhe junto pelo máximo de tempo possível.

 

Muitas vezes, as inovações trazidas pelos herdeiros entram em conflito com a experiência da geração atual. Mas se essa relação for bem trabalhada, é possível extrair o melhor de ambos e colaborar para o progresso da lavoura.

 

O que não pode faltar ao pensar no futuro da sua lavoura?

 

A primeira decisão que deve ser tomada por uma empresa familiar no agronegócio deve ser a avaliação se ela continuará sendo familiar e será transmitida para as próximas gerações ou se o seu controle acionário passará para terceiros.

 

Se a decisão for continuar sendo familiar, é decisivo trabalhar a sucessão. E para que a transferência do controle seja tranquila e bem-sucedida, é fundamental que exista um protocolo familiar definindo as regras de como o herdeiro pode entrar na empresa, como será a divisão do controle acionário e a definição dos líderes e representantes.

 

Como esse é um processo que pode envolver muitas emoções e egos dentro da família, uma boa prática é contar com uma auditoria ou consultoria externa para essa etapa. Um mediador que não está emocionalmente envolvido com a família terá uma posição bem mais imparcial e profissional, facilitando essas conversas e definições.

 

Uma opção é inclusive contratar gestores externos que assumirão os papéis da gestão da empresa, enquanto os herdeiros seguem como proprietários, acionistas e conselheiros, que vão acompanhar o trabalho de perto.

 

Quando não existe acordo de sucessão familiar na agricultura, muitas vezes a propriedade acaba dividida entre os herdeiros que, por falta de interesse ou despreparo vendem a terra ou quebram a empresa.

 

Mas se já existe uma profissionalismo na gestão desde a primeira geração, as chances de que esse tipo de desfecho aconteça são drasticamente reduzidas. Portanto, é uma responsabilidade da gestão atual de uma empresa familiar começar a trabalhar sua sucessão, assegurando assim que o negócio continuará mesmo quando ele decidir aposentar ou se ausentar.

 

E agora que você já sabe mais sobre a importância da sucessão familiar na agricultura e como esse processo deve ser feito, aproveite para se preparar ainda mais para o futuro conhecendo 8 tendências para o mercado agrícola até 2020!

 

 

Fonte: blog.jacto.com.br