26/04/2018

Produtividade na agricultura: 5 formas de melhorar na prática

Assim como em qualquer outro mercado, a produtividade na agricultura também enfrenta problemas. Pragas, infestações e produção baixa são alguns dos mais comuns e não devem ser motivo de desespero. Com os avanços da tecnologia e o interesse de vários grupos na área, uma série de práticas e técnicas entram, cada vez mais, na rotina do produtor rural, visando à melhoria da produção, facilitando a gestão e até melhorando a qualidade de vida do colaborador.

Buscando conhecer melhor esses processos, no post de hoje vamos entender o que fazer para aumentar a produtividade e aproveitar ao máximo tudo o que os estudos mais recentes e a tecnologia podem proporcionar para a agricultura.

Para isso, separamos cinco técnicas que já estão em uso e tem sua eficácia comprovada. Confira!

1. Adote a agricultura de precisão

Uma forma de trabalhar de maneira mais precisa, evitando desperdícios e agindo no foco exato dos possíveis problemas, a agricultura de precisão, por meio de estudos e armazenamento de dados, permite um melhor uso do solo e de recursos naturais. A técnica garante mais efetividade e reduz custos.

O armazenamento de dados em sistemas de nuvem é um exemplo, já que muitas vezes o número de informações é amplo e precisa ser organizado de uma forma fácil de se consultar. O acesso aos dados pode ser feito em qualquer lugar e à qualquer hora.

A instalação de GPSs orienta as máquinas agrícolas e permitem a consulta de seu trajeto e andamento em tempo real pelo agricultor.

Os drones, que também são instrumentos utilizados na agricultura de precisão, fazem a varredura do ambiente de forma rápida e o agricultor pode fazer a vistoria em tempo real. A qualidade das imagens, em alta resolução, permite a identificação de diversas doenças e pragas.

Os produtores também não precisam mais dispor de um tempo enorme para conseguir identificar a a necessidade de aplicação dos fertilizantes, defensivos e até mesmo água nas plantações. Os sensores detectam a quantidade certa que o solo precisa e as máquinas aplicam apenas o necessário, evitando o desperdício e, consequentemente, aumentando os lucros.

Esse é um dos primeiros e grandes passos da IoT (Internet of Things – Internet das Coisas) na agricultura do Brasil. Essa comunicação entre as máquinas, por meio da qual as estações de irrigação reconhecem a meteorologia, os sensores conseguem captar a qualidade do solo, entre outros, são exemplos de interações que em breve serão comuns no dia a dia do campo.

A chegada da internet 4G facilitou esses e outros processos que se tornaram mais acessíveis. Disponível em lugares antes inimagináveis, essa tecnologia revolucionou os modelos de cultivo e fez com que a produção em massa ficasse menos trabalhosa.

2. Introduza espécies em seu cultivo

Os animais são de extrema valia para o equilíbrio do ambiente agrícola. Alguns estão soltos pela natureza, outros criados em cativeiro, mas o fato é que eles podem trazer mais benefícios do que se pode imaginar.

A inserção de espécies na plantação é uma prática que visa à melhoria em muitos aspectos. Por serem adquiridas por produtores especializados em uma linhagem específica, as espécies são tiradas de seu habitat natural. Sendo assim, é importante que o agricultor mantenha ao máximo as características do ambiente do qual as espécies foram tiradas.

Vamos conhecer algumas das centenas de espécies que podem alavancar ainda mais o seu negócio.

Abelhas

Alguns especialistas europeus afirmam que a apicultura aumenta a produtividade. Além de produzirem o mel, as abelhas são excelentes polinizadoras, principalmente quando falamos da produção de milho, girassol e de biocombustíveis.

Essa polinização pode render uma colheita muito mais lucrativa. Porém, estima-se que 95% das abelhas pertencem a apicultores. Esse dado representa que o número de abelhas vivendo no meio ambiente é pífio se comparado ao total existente.

A compra de abelhas por apicultores é uma prática antiga na China e nos EUA e, nos últimos anos, vem sendo adotada em grande parte da Europa.

Minhocas

Solos pobres e pouco férteis tem nas minhocas um grande aliado, pois elas fortalecem as raízes, melhorando a concentração de nitrogênio — lembrando que as minhocas não produzem o nitrogênio, mas ajudam o disponibilizá-lo para as plantas — e transformando o adubo natural em um elemento mineral.

A introdução de minhocas, isolada, não é uma prática que vai alavancar a produção. É preciso um estudo minucioso de como o solo pode ser aproveitada pela espécie, e principalmente, evitar ao máximo o uso excessivo de agrotóxicos, deixando o solo o mais manejável possível.

Algas

Com uma imensidão de nutrientes, com destaque para o cálcio e o magnésio, a rápida absorção das algas fazem com que o número de animais pastejando por hectare aumente. Os microrganismos presentes no solo encontram uma espécie de ‘abrigo’ nas algas que viram uma forte fonte de alimentação para o gado.

3. Use fertilizantes de maneira correta

Não é segredo para ninguém que o uso de fertilizantes é um dos principais fatores que resultam em uma colheita de sucesso. No entanto, o seu mal uso traz consequências graves para a produção, podendo causar uma dependência do produto em plantações futuras ou a contaminação do solo por resíduos.

A aplicação sucessiva ou a quantidade fixa em todo o território é um erro. O mais indicado é um estudo aprofundado do solo, safra por safra, para medir a real necessidade das plantas.

Essas pesquisas são rápidas e não são destrutivas. A forma física e fertilidade podem ser analisadas por especialistas em pouquíssimo tempo. Dessa forma, nem o excesso e nem a falta de nutrientes serão um impasse para uma colheita de qualidade.

4. Escolha mão de obra qualificada

O agricultor tem sempre que ter em mente que a qualidade do produto final está diretamente relacionada ao empenho de seus funcionários. Por isso, prezar por um ambiente de trabalho sadio é uma tarefa essencial na gestão do produtor.

Como o êxodo rural — que já não é mais novidade, visto que acontece desde meados da década de 60, mas ainda tem seus efeitos — deslocou parte dos trabalhadores para os grandes centros urbanos, os funcionários precisam ser atraídos.

Melhores salários, contrato fixo, cursos especializados para cada função e a presença forte de um líder que se preocupa com a equipe são fatores essenciais para despertar o interesse do profissional que procura trabalhar na agricultura. Logo depois, é importante adotar práticas para mantê-los, evitando a rotatividade que é prejudicial ao serviço.

Já com relação aos funcionários, o trabalhador tem que estar aberto às mudanças e acompanhar as tendências tecnológicas do mercado. Quem não se adapta aos novos meios de produção, como os citados acima, fica de fora do negócio.

5. Adote modelos sustentáveis de produção

O crescimento da população coloca em pauta vários assuntos ligados à alimentação. Até quando seremos capazes de produzir alimentos em larga escala e para tanta gente?

Estima-se que em 2050 tenhamos atingido a marca de 9 bilhões de habitantes. Por isso, desde já, fala-se muito em modelos de produção que não agridam o meio ambiente, ocupem menos espaço, diminua preocupações relacionadas à proximidade do consumidor com o alimento, entre outros benefícios.

Soluções sustentáveis são pautas em alta para qualquer segmento e na agricultura não poderia ser diferente.

A Holanda é um exemplo de modelo de produção sustentável que pode servir de espelho para o resto do mundo. Pequena em extensão, populosa e carente de recursos naturais, o país conseguiu ser o segundo maior exportador de alimentos do mundo. Mas como?

Unindo estudos universitários avançados com o empreendedorismo, os holandeses conseguiram adotar técnicas de produção em espaços minúsculos como estufas e áreas de até 70 hectares. Em alguns lugares, o solo é substituído por basalto e giz, a água encanada para irrigação pela água da chuva, a temperatura é gerada por aquíferos, e assim, a agricultura se caracteriza de outras maneiras.

Claro que sempre tem um investimento por trás, mas não necessariamente atrelado às grandes corporações. O destaque se dá também pela agricultura familiar, considerada por muitos o futuro para o modelo de abastecimento dos estoques nas próximas décadas.

A produtividade na agricultura depende de projetos que estão em frequente atualização e sempre fundados em muito trabalho e pesquisa, afinal, nada é mais importante do que o processo responsável pelo abastecimento da população.

FONTE: JACTO