24/05/2018

Misturas em tanque de agroquímicos: o que é compatível e permitido?

Um estudo realizado pela Embrapa constatou que 97% dos agricultores brasileiros realizam a mistura de agroquímicos em tanque para reduzir custos no combate à doenças e pragas na lavoura. Apesar disso, o tema é bastante polêmico, pois é uma prática que carece tanto de regulamentação quanto de estudos que guiem o produtor rural nessa tarefa.

Por isso, preparamos este post para ajudar você a sanar as principais dúvidas sobre a mistura em tanque e indicar quais são as melhores práticas. Confira!

Por que misturar defensivos no tanque de agroquímicos?

A mistura de agroquímicos contribui para que o produtor consiga fazer o controle de diferentes pragas e doenças com um custo-benefício mais interessante, uma vez que se reduz a quantidade de pulverizações na lavoura. Em vez de aplicar inseticida, fungicida e nutrientes separadamente, isso é feito de uma vez só, reduzindo o custo final da produção.

É uma prática amplamente utilizada pelos agricultores brasileiros. No entanto, isso levanta algumas preocupações, especialmente referente à compatibilidade entre os produtos misturados. A incompatibilidade poderia alterar a composição física e química das soluções e anular ou enfraquecer a eficácia dos defensivos.

Que substâncias são mais compatíveis?

Algumas pesquisas têm sido realizadas para tentar concluir quais princípios ativos são compatíveis entre si. Sabe-se que a combinação de insumos e defensivos terá um dos 3 resultados seguintes:

  1. efeito aditivo: não há alteração na eficiência dos produtos misturados;

  2. efeito sinérgico: um produto potencializa a ação do outro;

Assim, estudos buscam montar quadros de compatibilidade para a mistura de agroquímicos. Por exemplo, a Universidade Estadual Norte do Paraná (Bandeirantes, PR) fizeram essa análise em parceria com a Embrapa e a DBO. Fizeram testes com cerca de 140 produtos para avaliar as compatibilidades tanto químicas quanto físicas nas misturas em tanque.

O resultado foi disponibilizado pela Revista Agro DBO em um tabela que informa as compatibilidades para soja e milho. O material que pode ser adquirido gratuitamente em formato impresso ou eletrônico.

Por não ser uma prática regulamentada, as bulas não costumam falar muito sobre a compatibilidade física e química com outros produtos. No entanto, há empresas que fazem testes de misturas e emitem relatórios sobre os resultados. Consultá-las também é uma possibilidade.

A ordem dos fatores altera o produto?

Existe sim uma ordem para adicionar os produtos na mistura. Normalmente, inicia-se pelos mais difíceis de serem solubilizados em calda — em pó ou em grânulos. Depois, vão os mais líquidos e mais fáceis de serem diluídos. Essa ordem é muito importante.

O erro muito comum, porém, é a falta de comunicação com a pessoa ou com a própria fornecedora dos produtos para buscar informações sobre a possibilidade ou não de misturar com algum tipo de produto específico. Isso pode resultar em desperdício, pois o agricultor faz a mistura sem uma consulta prévia e acaba perdendo a calda.

Como essas misturas são muito comuns, muitas vezes a empresa já fez essas análises, pelo menos com as principais culturas. Então, ela sabe se vai ter algum problema ou não.

As misturas podem afetar a durabilidade do equipamento?

Não. Mas vale ressaltar que, à medida que se aumenta o número de produtos na mistura, a tendência é perder o controle das reações que vão ocorrer. Pode chegar ao ponto de ficar impossível detectar a causa de efeitos adversos.

Para se obter um média, um estudo direcionado pelo pesquisador Dionísio Grazziero, em 2015, revelou que os agricultores brasileiros realizam misturas que levam de 2 a 7 produtos diferentes. Esse número variava dependendo da intensidade de aplicação, do tipo de cultura e do tamanho da propriedade.

Que cuidados devem ser tomados no preparo da calda?

Existem diversos aspectos que precisam ser levados em conta para não só garantir a eficiência do processo de pulverização, mas também para manter a integridade do agricultor e a segurança dos alimentos. Entre as principais recomendações, estão:

  • utilize Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);

  • realize o preparo em local sombreado, aberto e com boa ventilação;

  • não entre em contato direto com os produtos;

  • evite os períodos de alta temperatura ou em outras condições climáticas adversas, como ventos fortes e chuvas;

  • utilize materiais específicos para o preparo e a mistura, como balanças, baldes e copos graduados;

  • verifique e corrija o pH da água, se necessário;

  • informe-se sobre a compatibilidade entre os produtos;

  • feche todas as embalagens e armazene-as adequadamente.

Como cuidar da manutenção da máquina?

Para garantir a eficiência da operação, os pulverizadores precisam ser regulados por meio da calibração. Além disso, escolha bicos adequados à velocidade, às condições climáticas, ao modo de aplicação, ao produto e à lavoura. Existem ferramentas que ajudam nessa escolha, como o SmartSelector, um aplicativo que utiliza as diversas variáveis para sugerir o melhor bico de pulverização.

Existe um número máximo de produtos que podem ser misturados ao mesmo tempo?

Não. Interessante que um estudo direcionado pelo pesquisador Dionísio Grazziero, em 2015, revelou que os agricultores brasileiros realizam misturas que levam de 2 a 7 produtos diferentes. Esse número variava dependendo da intensidade de aplicação, do tipo de cultura e do tamanho da propriedade.

O que a lei diz sobre as misturas?

Apesar de não ser ilegal, a mistura não é regulamentada, de modo que os agrônomos não podem prescrevê-la. No entanto, já existe uma iniciativa no governo para regulamentar a prática por meio de uma Instrução Normativa. A previsão é que isso ocorra ainda em 2018.

Apesar da falta de regulamentação, a prática é comum no Brasil desde os anos 80, sendo muito importante para a reduzir o desperdício, manter os preços competitivos e garantir a safra.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, existem muitos agricultores de maçã que aplicam a mistura ao menos uma vez por semana, porque o clima é muito úmido e há várias doenças causadas por fungos que causam problemas no fruto. Se eles não fizessem a mistura, haveria um desperdício enorme de diesel nas repetidas pulverizações de cada produto.

Em outros países, como os Estados Unidos, as misturas já são regulamentadas há anos e o Brasil tende a seguir o mesmo caminho, apesar de estar atrasado.

Com a regulamentação da mistura de agroquímicos, essa prática deve ser mais amplamente discutida e com mais estudos e pesquisas que possam ajudar o produtor rural a aumentar a eficiência na aplicação de defensivos agrícolas, ao mesmo tempo que reduz os custos da produção.

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FONTE: JACTO